"E esse é meu ódio, veneno que tomo querendo que outro morra..."

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A morte.

A morte... Honestamente, me canso de pensar sobre... Mas a inevitabilidade me assusta. Vivo dias normais, raramente um dia que possa me orgulhar e estufar o peito para dizer que amei o dia, dias que ironicamente vem seguidos de dias de ódio horrivelmente maior que os dias normais. Li em um texto que “morrer é uma piada sem graça”, uma piada que me faria rir em certos dias, nos dias em que sinto uma ânsia de choro, lágrimas que o ódio e a frustração impedem de sair. E também, uma piada que em dias normais me dá um nó na garganta, uma tristeza inexplicável, uma ânsia de choro diferente, lágrimas que, agora, o orgulho impede que caiam.
Sinto saudade da simplicidade, tal que me fez viver feliz. Tal que agora é substituída por uma grande falta, um vazio inútil e revoltante, esse peso que me abate e me puxa para baixo, contra a direção da alegria. Sinto falta de um apoio, os únicos que pareço ter só se mostram na internet e em raros encontros que são repudiados pelos pesos. Anseio por uma felicidade, anseio pela morte dos tais pesos, e mais uma vez a consciência social me diz que desejar a morte de algo é rum e desumano, e então, me sinto desumano e desconexo ao mundo...
E ainda assim, desejo a morte... De um modo ou de outro, ou até mesmo, na pior da hipóteses, ou não, a minha...
A morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: MORRER!!! A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando formulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, faz as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente... De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis, Qual é? Morrer é um chiste. Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas malas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sair sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue à próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Isso é pra ser levado a sério? Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito o a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. OK, hora de descançar em paz. Mas antes de viver tudo? Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça. Por isso, viva tudo que há para viver, Não se apegue às coisas pequenas e inúteis da Vida... Perdoe... Sempre!!!
Fonte: Prova de língua portuguesa – 3º período – 23/11/2010.

Queria eu ter a motivação de escrever isso...